Para entender a irradiação e a contaminação radioativa

Publicado em: 5 Mai 2008
Atualizado em: 5 Mai 2008

Quando há um acidente com material radioativo, é comum ouvirmos dos apresentadores de noticiários expressões como “a área está extremamente radioativa”, “a região está com altos níveis de radiação” e outras frases desprovidas de significado.

Afinal, o que realmente ocorre quando há um acidente com esse tipo de material? Há duas possibilidades: o material radioativo pode apenas irradiar ou, além disso, também contaminar o meio ambiente. Vamos analisar o primeiro caso, a irradiação.

Em geral, o material radioativo possui duas embalagens: o recipiente interno que o contém e um recipiente externo, que é uma blindagem. A função da blindagem é atenuar a radiação emitida por esse material. Portanto, se ela se romper, os objetos e seres vivos que estiverem nas proximidades estarão expostos a essa radiação.

Irradiação é a energia característica emitida por uma fonte radioativa. O objeto ou ser vivo que recebe essa energia está sendo irradiado. No caso em questão, a fonte emissora de energia é um material radioativo, mas há vários exemplos de outras emissões de radiação, como o calor de uma fogueira, a luz de um poste ou a buzina de um carro. Todas essas radiações diminuem de intensidade com o quadrado da distância. Ou seja, se estivermos a uma certa distância dessas fontes (por exemplo, um metro) e nos afastarmos o dobro desse valor (dois metros), a intensidade da energia que chega até nós diminuirá quatro vezes.

Isso significa que no caso de um acidente com material radioativo onde há apenas irradiação, a medida de proteção adotada pelas autoridades competentes é o isolamento de uma área em torno do material radioativo, com raio grande o suficiente para garantir que fora dessa região o nível de irradiação seja insignificante.

Esse procedimento aplica-se a fontes que emitem radiações como a do tipo gama, emitida por vários materiais radioativos. A radiação gama é uma onda eletromagnética, como, por exemplo, as ondas de rádio, TV, microondas e a luz visível; a diferença está no fato de sua energia e, conseqüentemente, sua freqüência serem muito maiores.

Além dos raios gama, os materiais radioativos também emitem radiação em forma de partículas, como a radiação alfa e a radiação beta, mas elas têm um alcance muito menor do que a gama. A radiação alfa não consegue penetrar na pele humana, portanto materiais que emitem somente esse tipo de radiação só oferecem perigo se forem ingeridos ou inalados. A radiação beta tem um poder de penetração maior do que o da alfa, entrando alguns milímetros na pele – o que pode acarretar o aparecimento de câncer de pele e sérios problemas nos olhos – mas ela não consegue atravessar alguns milímetros de alumínio ou o tecido das roupas que vestimos normalmente.

Será que um objeto ou um ser vivo que esteve próximo a um material radioativo e foi irradiado fica com um pouco de radiação dentro dele e vai liberando-a aos poucos? A resposta é não, pois não há como estocar qualquer tipo de radiação, seja ela proveniente de materiais radioativos ou não. Por exemplo, quando desligamos a luz da sala, ela fica escura imediatamente. Não conseguimos guardar luz dentro de um saco de papel!

Quais são as conseqüências para um organismo que ficou exposto às altas energias emitidas pelos materiais radioativos? E o que é a contaminação radioativa? Para saber as respostas a essas perguntas, acesse agora mesmo o artigo “O que é irradiação? E contaminação radioativa? Vamos esclarecer?”, escrito pelo professor Ary de Araújo Rodrigues Júnior e publicado na revista Física na Escola, v. 8, n. 2, 2007.