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Perguntas e problemas relacionados ao tema
Fluidos
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Autor: Prof. Manuel Fernando Ferreira da Silva, Departamento de Física da Universidade da Beira Interior
mffs@ubi.pt
Uma bóia de sinalização tem a forma de um cilindro de comprimento 9,00 m e diâmetro 15,0 cm. A bóia, homogénea e de massa 121 kg, está flutuando com o seu extremo inferior amarrado ao fundo de um lago por meio de um cabo de comprimento 7,50 m (ver figura). Se a profundidade do lago é 12,0 m, calcule o valor da tensão suportada pelo cabo e o ângulo
que a bóia faz com a horizontal. A densidade da água do lago é 1,00 g/cm 3 e a aceleração da gravidade no local é 9,82 m/s 2 .
A bóia encontra-se em equilíbrio estático sob a ação de três forças:
1. o seu peso P (vertical, para baixo), que atua no centro da bóia;
2. o empuxo E produzido pela água (vertical, para cima), que atua no centro da parte da bóia que está submersa (princípio de Arquimedes);
3. a tensão T do cabo (vertical, para baixo).
Essas três forças foram representadas na figura, onde também foi designado por L o comprimento da bóia, e por x o comprimento da parte da bóia que está submersa.
O equilíbrio de translação do centro de massa da bóia traduz-se no fato de a força resultante que atua sobre ela ser nula:
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(1) | ||||
O equilíbrio de rotação da bóia traduz-se no fato de o momento resultante das forças que atuam sobre ela, em relação a qualquer ponto, ser nulo; calculando esse momento em relação ao extremo inferior da bóia, obtém-se
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(2) |
Mas
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(3) |
sendo m a massa da bóia e g a aceleração da gravidade; e a magnitude do empuxo é igual ao peso P' da água deslocada pela bóia (princípio de Arquimedes, novamente), isto é,
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(4) |
sendo
a densidade da água, m' a massa da água deslocada pela bóia, e V' o volume deslocado pela bóia. Este último pode ser escrito como
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(5) |
onde R é o raio da base da bóia e D o seu diâmetro. Combinando as relações (2)-(5),
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(6) |
Introduzindo os valores numéricos no SI (note que
= 1,00 g/cm 3 = 1000 kg/m 3 e que D = 15,0 cm = 0,150 m), obtém-se
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(7) |
A tensão do cabo pode ser agora calculada usando (1):
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(8) |
_________________________________________________________________________________
O ângulo
pode ser determinado a partir do triângulo representado na figura acima, em que l representa o comprimento do cabo e H a profundidade do lago:
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(9) |
O cabo suporta uma tensão de 174 N e a bóia faz um ângulo de 35,0º com a horizontal.
Autor: Prof. Manuel Fernando Ferreira da Silva, Departamento de Física da Universidade da Beira Interior
mffs@ubi.pt
A pipa cilíndrica do Sr. Chico é aberta na sua parte plana superior e está totalmente cheia, contendo vinho suficiente para encher um certo número exato de bilhas iguais. Depois de abrir um pequeno orifício na parte plana inferior da pipa, às 16h00min00s o Sr. Chico começou a encher as bilhas de vinho através desse orifício.
A D.ª Laura, esposa do Sr. Chico, observou que este demorou 1 min 15 s para encher a primeira bilha, e que para encher a segunda precisou de 1 min 17 s. Com a ajuda da D.ª Laura, o Sr. Chico não perde tempo algum entre duas bilhas consecutivas.
(a) A situação está representada na figura. Seja H a altura da pipa, seja A a área de uma das suas partes planas, e seja a a área do orifício aberto no fundo. À medida que as bilhas vão sendo cheias, o nível do vinho na pipa vai descendo. Seja h(t) a altura desse nível, medida em relação ao fundo da pipa, num instante t arbitrário. Escolhemos o instante t = 0 no início do processo de enchimento (às 16h00), pelo que h(0) = H.
Consideremos um ponto 1 situado na superfície livre do vinho (à altura h) e um ponto 2 situado à saída do orifício; liguemos esses dois pontos por uma linha de corrente imaginária e apliquemos a lei de Bernoulli. Temos
sendo p 1 e p 2 as pressões nesses dois pontos (as duas iguais à pressão atmosférica, já que ambos os pontos estão em contato com o ar exterior), h 1 e h 2 as alturas desses dois pontos [ h 1 = h(t) e h 2 = 0], e v 1 e v 2 as magnitudes da velocidade do vinho nesses dois pontos [ v 1 = dh/dt e v 2 = v 2(t) a rapidez com que o vinho sai da pipa];
é a densidade do vinho e g o valor da aceleração da gravidade. Simplificando, obtemos
. [1]
O volume ocupado pelo vinho que está dentro da pipa num instante qualquer é dado por V = Ah , de modo que o fluxo é
e como Q = -av 2, resulta
. [2]
Inserindo-se a expressão [2] no membro esquerdo de [1], chega-se a
de modo que, se definirmos
[3], obtemos a equação diferencial de primeira ordem com variáveis separadas
[a escolha do sinal negativo justifica-se pelo fato de a função h(t) ser decrescente, já que o nível do vinho desce]; integrando-se ambos os membros dessa equação, chega-se a
,
ou seja,
. [4]
Seja N o número de bilhas que é possível encher com o vinho da pipa. No instante
sabemos que a primeira bilha fica cheia; nesse instante, a altura do vinho na pipa deve ser
.
Portanto
. [5]
Sabemos também que no instante
a segunda bilha fica cheia; nesse instante, a altura do vinho na pipa deve ser
.
Portanto
. [6]
Igualando as expressões [5] e [6] chegamos a
Essa igualdade permite determinar N em função de t 1 e t 2. Efetivamente, separando, elevando ao quadrado e simplificando, temos
.
Voltando a elevar ao quadrado, fazendo algumas manipulações simples e substituindo valores numéricos obtém-se, finalmente,
Assim, o Sr. Chico poderá encher 20 bilhas com o vinho existente na sua pipa.
(b) Substituindo o valor de N , por exemplo, na expressão [5], chegamos a
[7]
e inserindo este resultado em [4] obtemos
.
Esta fórmula permite-nos calcular o instante preciso em que uma qualquer das 20 bilhas ficará cheia. Assim, por exemplo, pondo h(t 20 ) = h 20 = 0, podemos determinar o instante t 20 em que a vigésima (e última) bilha ficará cheia, ou seja, o instante em que a pipa ficará vazia:

Como o processo de enchimento começou às 16h00min00s, a pipa ficará vazia às 16h49min22s.
(c) O instante t 19 em que a bilha 19 ficará cheia pode ser determinado impondo-se a condição h(t 19 ) = h 19 = H/20:
de modo que o tempo
necessário para que o Sr. Chico encha a última bilha será
Assim, a última bilha demorará a encher quase 9 vezes mais do que a primeira.
A tabela seguinte mostra os tempos para cada uma das 20 bilhas, com precisão de décimos de segundo.
| Bilha | Tempo (t) | Intervalo ( )
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Bilha | Tempo (t) | Intervalo ( )
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| 1 | 01 min 15.0 s | 01 min 15.0 s | 11 | 16 min 15.0 s | 01 min 47.4 s |
| 2 | 02 min 32.0 s | 01 min 17.0 s | 12 | 18 min 08.7 s | 01 min 53.7 s |
| 3 | 03 min 51.2 s | 01 min 19.2 s | 13 | 20 min 09.7 s | 02 min 01.0 s |
| 4 | 05 min 12.7 s | 01 min 21.5 s | 14 | 22 min 19.7 s | 02 min 10.0 s |
| 5 | 06 min 36.8 s | 01 min 24.1 s | 15 | 24 min 41.0 s | 02 min 21.3 s |
| 6 | 08 min 03.8 s | 01 min 27.0 s | 16 | 27 min 17.4 s | 02 min 36.4 s |
| 7 | 09 min 34.0 s | 01 min 30.2 s | 17 | 30 min 14.8 s | 02 min 57.4 s |
| 8 | 11 min 07.6 s | 01 min 33.6 s | 18 | 33 min 45.3 s | 03 min 30.5 s |
| 9 | 12 min 45.3 s | 01 min 37.7 s | 19 | 38 min 19.7 s | 04 min 34.4 s |
| 10 | 14 min 27.6 s | 01 min 42.3 s | 20 | 49 min 22.0 s | 11 min 02.3 s |
Note que o tempo necessário para encher a última bilha é igual à soma dos tempos necessários para encher as três bilhas anteriores a essa:
.
Essa é uma propriedade geral, pois não depende do número N de bilhas (basta que
) . Tente demonstrá-la e, no processo, encontrará outras propriedades similares!
(d) Como a altura da pipa é H = 1,3 m, a expressão [7] permite-nos calcular o valor de
:
.
Substituindo este resultado na expressão [3], podemos determinar a relação A/a:
onde usamos o valor g = 9,8 m/s 2 para a aceleração da gravidade. Como o diâmetro da parte plana da pipa é D = 70 cm , a sua área A é
pelo que a área a do orifício aberto pelo Sr. Chico na pipa é
correspondente a um raio aproximado de 4,6 mm.
Finalmente, para obter a capacidade de uma bilha basta calcular o volume da pipa
e dividir pelo número de bilhas. A capacidade de uma bilha é, portanto,
