Alfredo Marques: Marcelo Damy e sua importância no desenvolvimento da física nuclear no Brasil
A física brasileira cobriu-se de pesar pelo passamento de Marcelo Damy de Souza Santos. Trata-se da despedida de um dos destacados protagonistas daqueles tempos pioneiros da fase moderna desta ciência no Brasil.
Experimentador habilíssimo, Damy aliou a esse mérito o de inspirado homem de visão e empreendedor científico bem-sucedido. Teve seu nome associado a importantes momentos que marcaram o progresso da física em nosso país.
Muito jovem ainda, final dos anos ’30, foi para Londres para familiarizar-se com o efervescente campo da instrumentação científica, então em processo de intensa renovação pela incorporação de novos circuitos viabilizados pela introdução da válvula eletrônica a vácuo, sobretudo em áreas da radiação cósmica e da radioatividade.
Retornou ao Brasil pressionado pelos fumos negros da Segunda Guerra Mundial que já emanavam da Polônia, invadida por tropas alemãs em 1 de setembro de 1939. Ao ensejo da criação do Departamento de Física da Faculdade de Filosofia Ciências e Letras juntou-se ao grupo sob a chefia de Gleb Wataghin naquela unidade universitária. Já em 1940 teve o nome associado à descoberta dos chamados chuveiros penetrantes da radiação cósmica, feita por aquele grupo. Esse trabalho teve grande repercussão fora e dentro do Brasil onde representa o papel de marco inaugural da física moderna no país. Damy ocupou-se da delicada aparelhagem eletrônica, obtendo desempenho dentro do estado da arte na época.
Titular da cadeira de Física Geral e Experimental do Departamento de Física, tomou a iniciativa de importar e instalar um Betatron para estudos de reações fotonucleares. A comparação do desempenho do Betatron de Marcelo Damy com outras máquinas aceleradoras que vieram a ser instaladas posteriormente, fruto do interesse despertado nos meios científicos brasileiros pelos estudos nucleares, é extremamente favorável: foi, sem dúvidas, a máquina mais bem-sucedida, operando satisfatoriamente ao longo de muitos anos sem os tropeços típicos da época, até esgotar sua viabilidade em termos científicos.
Mais adiante se aproveitou de aberturas propiciadas pelo governo americano do General Dwight Eisenhower que rompeu com os dispositivos legais regulando a atuação da Comissão de Energia Atômica americana, flexibilizando-os, e criou um programa intitulado de Átomos para a Paz, segundo o qual o governo americano forneceria a países buscando o desenvolvimento nuclear o combustível enriquecido em U-235 para alimentar pequenos reatores nucleares para ensino e pesquisa. A despeito da interpretação corrente na época de que aquele programa do governo americano visava principalmente enfraquecer iniciativas buscando maior emancipação na área nuclear, defendidas em países detentores de reservas de minerais físseis como o Brasil, o reator instalado por Damy e o instituto criado especialmente para recebê-lo, desempenharam papel importantíssimo no desenvolvimento nuclear do país. Outros centros brasileiros valeram-se do programa Átomos para a Paz, e instalaram pequenos reatores com propósitos limitados. Foi, entretanto, o reator de Damy o que revelou vida mais longa, maior capacidade de renovação, e diversificação de aplicações, mantendo ao longo dos anos um grupo numeroso de pessoal qualificado em diferentes atividades. Também o instituto criado para acolher o reator e operá-lo ? hoje Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares ? destacou-se notadamente no domínio das tecnologias que cercam o ciclo do combustível nuclear.
Assumiu a presidência da Comissão Nacional de Energia Nuclear em época de grande comoção política; à renúncia inesperada do presidente Janio Quadros seguiram-se momentos de grande tensão política que culminaram com a deposição do presidente João Goulart pelo golpe militar de 1964. Damy foi destituído com o governo deposto antes que pudesse dar curso a seus planos de reorganização do setor nuclear brasileiro.
Aposentado na USP, assumiu uma posição na PUC-SP onde continuou projetos de ensino e pesquisa.
As comoções do movimento militar atingiram em cheio a recém-criada Universidade Nacional de Brasilia. Seguiram-se ao desmonte inicial reitores mais afinados com os novos rumos do país, entre os quais Zeferino Vaz que, de volta a S. Paulo, colocou-se a tarefa de criar em Campinas uma nova universidade estadual. Pretendia incorporar inovações com as quais teve contato enquanto reitor da UNB. Uma delas era o destaque com que era tratada a física, principal símbolo de modernidade no projeto original da UNB. Isto o levou a Marcelo Damy, a quem devotava longa e fraterna amizade. Convidado, Damy assumiu o papel de coordenador da instalação do primeiro instituto em torno do qual se ergueria toda a organização universitária: o Instituto de Física. Para chefiar o grupo pioneiro que devia impor a marca da qualidade convidou César Lattes. Lattes para lá se transferiu levando consigo o grupo que com ele trabalhava na USP e dava os primeiros passos dentro da colaboração Brasil-Japão sobre interações a elevadas energias na radiação cósmica. É desnecessário ressaltar o êxito da iniciativa de criação daquela universidade, já que em poucos anos alcançava reconhecimento público e hoje é arrolada como dos principais centros de estudos superiores do país. Sem dúvida trata-se do esforço e dedicação de muitos, mas a solidez do momento inicial alicerça toda a edificação posterior.
Divergências com Zeferino Vaz em torno do futuro do Instituto de Física, a quem deu o nome de Gleb Wataghin em homenagem a seu velho mestre na USP, o levaram de volta a seu gabinete na PUC-SP, renunciando a suas atribuições na UNICAMP após alguns anos à frente do processo de instalação.
Dotado de excepcional condição física, Marcelo Damy atravessava os anos trabalhando com a energia e diligência de jovem; sua excepcional atividade, aliada a aparência física onde a marca dos anos se recusava a aparecer, tornavam muito difícil estimar corretamente sua faixa etária, tarefa a que apenas os amigos mais chegados ousavam se dar. Um insidioso AVC levou-o à hospitalização aos noventa e cinco anos, gerando um quadro clínico que se agravou progressivamente, levando-o à morte no final de novembro de 2009
É o pouco que podemos dizer sobre alguém de vida tão longa e tão rica em realizações.
Iuda Goldman e Paulo Pascholatti: Um breve esboço da biografia científica de Marcelo Damy
MARCELLO DAMY DE SOUZA SANTOS (14 de junho de 1914 - 29 de novembro de 2009) ou Prof. Damy, como apreciava ser chamado, era aluno do 3? ano de Engenharia Elétrica da Escola Politécnica, por ocasião da vinda de Gleb Wataghin quando da fundação da Universidade de São Paulo. Damy, assistiu então as aulas de Wataghin, sendo posteriormente convidado para se tornar seu assistente, após se formar em 1936, na primeira turma de Física da Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de São Paulo. Em 1938, Giuseppe Occhialini, juntou-se ao grupo. Wataghin, físico teórico, tinha uma visão muito aguda do que ocorria na física experimental, Occhialini, era um físico experimental, vindo de notável colaboração com Blackett em Cambridge. Experiências com raios cósmicos tornaram-se o objetivo de pesquisa do grupo.
Para quem se queixa, ainda hoje, do apoio que a Ciência Básica tem atualmente, é oportuna a lembrança das precaríssimas condições do final da década de 30, do pequeno grupo, que convivia em uma espécie de sotão da Escola Politécnica, no meio de aparelhos improvisados, livros, máquinas e com o apoio de um técnico, o legendário Bentivoglio, executando os pedidos de dispositivos para experiências. As dificuldades, foram superadas, e a realização de experiências ocorreu desde então, com publicações em revistas internacionais, e é digno de menção: “On a new type of particle counter, The Journal of Scientific Instruments (1937)”. Seguiram-se outras, e grande repercussão ocorreu quando “showers” penetrantes foram evidenciados em experiência realizada no tunel 9 de Julho, em construção: “Simultaneous penetrations Particles in the cosmic radiation”, G.Wataghin, M.D. de Souza Santos, P.A. Pompeia, Phys. Rev. 57 (1940), onde ficou evidenciada a detecção simultânea de partículas em arranjos telescópicos, situados a 120 cm de distância, com uma cobertura de rocha de algumas dezenas de metros. A evidência notável desta experiência foi que partículas cósmicas estavam presentes com energias superiores a 2108 eV, como concluído na sequência de resultados.
De certa forma, esta experiência, foi a semente que tornou o Departamento de Física, depois Instituto de Física, conhecido e originou a dinâmica, de presença internacional.
A habilidade de Damy em desenvolver instrumental em condições difíceis – seus detectores Geiger-Müller, sobreviveram muito tempo no andar superior do edifício do Betatron, e no último andar da “Maria Antonia”, construídos em condições das mais primitivas, dependendo de atingir um vácuo tecnicamente difícil e inserir em tubos de vidro filamentos de tungstênio a prova de vibração.
A partir de um relacionamento com Kerst, em viagem organizada por Arthur Compton (Prêmio Nobel), surgiu a idéia do Betatron, havia na época apenas 3 deles no mundo, com possibilidade de abertura, em São Paulo, de um novo campo de investigação científica. O Betatron, de 22 MeV, teve seu primeiro feixe ainda em 1950, com uma equipe então ampliada.
Com o dinamismo habitual de Damy, a instalação de um reator em São Paulo, foi cogitada e apoios foram contactados, tornando possível em 1957, a inauguração e funcionamento regular de um reator de piscina de 5 MW, originando o IEA, atual IPEN, com equipe escolhida por Damy.
A sua Presidência na CNEN, no governo Goulart, foi interrompida pelo golpe de 1964, seguindo certo ostracismo interrompido pelo convite para se tornar diretor do Instituto de Física, da recém fundada Unicamp. Após seu afastamento da Unicamp, continuou seu trabalho de docência e pesquisa na PUC/SP.
Até pouco mais de 5 anos atrás, continuava seu trabalho de pesquisa, acompanhando o grupo trabalhando em desenvolvimento de detectores.
Recebeu inúmeros prêmios e honrarias, e pertenceu a várias sociedades científicas, das quais destacamos:
• Condecoração Comendador da Ordem do Mérito Naval, 1962
• Professor Emérito pelo Instituto de Física da Universidade de São Paulo, 1984
• Cambridge Philosophical Society (member), proposto pelos Profs. H. Carmichael e W. Heitler, 1939
• Kapitza Club (Cambridge, Inglaterra) (fellow), proposto pelos Profs. N. Feather e J.D. Cockroft, 1939
• Membro Titular da Academia Brasileira de Ciências, 1951
• Membro da American Physical Society
Um “hobby”, digno de menção que cultivou toda a vida foi a de restauração de cravos antigos, dos quais possuía pequena coleção, atividade esta ligada a sua esposa, pianista, à qual era muito dedicado. Deixa esposa, Lúcia, não teve filhos, mas seu legado é a sua enorme herança intelectual.
Sérgio Mascarenhas: “Fundo Prêmio Marcelo Damy”
Marcelo Damy foi fundamental para a física e, mais ainda, para ciência, tecnologia e inovação no Brasil. Para mim e minha carreira foi também fundamental: apoiou-me desde o começo, quando lutava para criar física do estado sólido e ciência e engenharia de materiais, na pequena São Carlos. Esteve nas bancas de minha livre-docência e cátedra. Mantive com ele e Lúcia sua esposa, uma amizade profunda e fraternal por mais de 50 anos!
Quando ele fundou a Física na Unicamp, propondo o nome de seu antigo mestre Gleb Wataghin para o Instituto, pediu minha colaboração assim como também no IPEN anos depois, foi a mesma parceria. Na CNEN mudou a política externa do Brasil que deixava contrabandear areia monazítica ricas em tório e passou a fazer o mesmo com o urânio, terras raras, etc. Implantou o primeiro betatron no Brasil. Foi o primeiro a crescer cristais de quartzo e produzir fibras óticas! Infelizmente foi perseguido pela revolução de 64, apesar de seus esforços ajudando a Marinha na 2ª.guerra, construindo o primeiro sonar no Brasil.
Era um magnífico instrumentalista interdisciplinar. Afastado da USP foi para um modesto laboratório na PUC onde formou vários doutores e mestres. Nessa época tive a grande honra de participar de bancas e pesquisas e acompanhar aquela figura impoluta e genial, grande pilar da ciência brasileira, num momento em que poderia desistir de sua luta pela ciência no Brasil frente a tantas ingratidões. Tendo ido para Cambridge,UK, ao voltar em plena guerra, esteve em Londres com Vinicius de Morais numa noite de trevas, aguardando a volta ao Brasil, em que andando de um lado para outro,no quarto de hotel "explicou" ao grande poeta a fissão nuclear e outras aventuras da física da época: Vinicius escreveu então uma bela página sobre Damy, chamando-o de algo como "aquele menino poeta sonhador da ciência"!
Devo muito a Damy, não somente pelo seu apoio quando, carioca, cheguei a São Carlos com Yvonne Mascarenhas, com 26 anos, mas depois de velho quando fui ajudá-lo na luta participando do Conselho do IPEN em São Paulo, onde ele implantou o primeiro reator nuclear no Brasil e na América Latina. Aliás, aí também sofreu perseguições e ingratidões de medíocres, que parecem uma praga a perseguir os visionários como Damy, com seus venenos da mesquinharia e inveja.
Damy gostava de música clássica, computação, acústica de instrumentos musicais (modificou um cravo que pertencia à minha filha, hoje doutora em física Yvone Maria Mascarenhas). Sua esposa Lúcia é exímia pianista e pintora e ainda temos um quadro com que ela nos brindou!
Foi-se uma das maiores figuras das origens da ciência brasileira. Não pode ser esquecido! Deve ser lembrado às novas gerações. Estou propondo ã SBPC a criação de um prêmio anual com seu nome para ser oferecido a jovens talentos da ciência no Brasil e espero que seja apoiado por toda a comunidade. O "Fundo Prêmio Marcelo Damy" contará inicialmente com R$5.000,00 (cinco mil reais) da família Mascarenhas e esperamos outras adesões públicas e privadas.
Conforme anuência como sempre entusiástica, do atual presidente da SBPC, Marco Antonio Raupp, a gestão do prêmio caberá à entidade, cujo estatuto e demais atribuições serão arregimentadas e divulgadas, posteriormente, à sociedade em geral.
Ao terminar faço um apelo ao MCT, CAPES, CNEN, ABC, FAPESP, USP, UNICAMP, CBPF e entidades privadas, para que criem outras versões de prêmio Marcelo Damy para diferentes categorias nas diversas áreas do conhecimento e diferentes públicos- alvo. Façamos com que a memória de Damy motive jovens talentos entre as mulheres e homens da futura comunidade da ciência,tecnologia e inovação do Brasil
Ao final deste depoimento homenageio o importante cientista, relembrando o prefácio que escrevi para série Depoimentos sobre Energia Nuclear – Volume 1, de autoria de Marcello Damy, publicado pelo IPEN.
A seguir o prefácio na íntegra:
“O lançamento deste livro, homenagem ao Prof. Marcelo Damy de Souza Santos, iniciativa do IPEN através do seu Superintendente Dr. Spero Penha Morato, é de muita relevância para a ciência e tecnologia ao Brasil pois atende a vários objetivos simultaneamente:
a) homenageia uma das mais importantes figuras no desenvolvimento da ciência e tecnologia no país.
b) dá uma contribuição importante à história da Ciência e Tecnologia no Brasil e na América Latina.
c) oferece documento de inspiração e exemplo para jovens, cientistas, professores, autoridades que certamente irão não apenas se deleitar, mas aprender com o livro.
A vontade nacional e a dignidade de ter essa vontade somente se constroem com escolas de pensamento e ação. Marcelo Damy criou e implantou uma das mais importantes escolas de física no Brasil e na América Latina exatamente através de seu pensamento consubstanciado em uma filosofia de vida e em uma política científica e um grande número de ações construtivas que nortearam sua vida: criação de uma escola de física nuclear experimental, implantação do primeiro acelerador de elétrons no país, implantação, organização e estruturação do primeiro reator nuclear no país, realização de pesquisa e desenvolvimento interdisciplinar tanto em instrumentação como em novas técnicas de interesse tecnológico, indo da eletrônica a ultrassônica, materiais e muitos outros campos. Além de tudo, Damy é um humanista e um homem de cultura. Seus interesses vão da música à história da ciência.
Damy sempre toma posições claras e firmes, assim também são suas opiniões e seus sentimentos. De uma grande afabilidade e gentileza nunca foi, entretanto uma pessoa amorfa, ao contrário todos sabem que Damy às vezes não é fácil e nem sempre é de guardar umas verdades que queira dizer. Naturalmente com esse perfil, nunca foi dócil para os poderosos e isso lhe valeu incompreensões e até perseguições, mas também profundas admirações e amizades tanto de seus alunos, espalhados por todo o Brasil, como de colegas, funcionários, chefes e autoridades.
Na área acadêmica, Damy implantou escolas na USP, no IPEN, na CNEN, na PUC/SP e também no Instituto Gleb Wataghin na UNICAMP, uma de suas obras mais importantes, se não fossem todas da maior relevância.
Pessoalmente encontrei em Marcelo Damy um grande apoio para a implantação do grupo de São Carlos quando nos decidimos por fazer da física do estado sólido e de atividades interdisciplinares como a biofísica, a cristalografia, a física médica e as ciências dos materiais, nossas áreas de pesquisa, ensino e desenvolvimento.
Ainda quando eu era aluno e bolsista no Rio, na década de 50, já conhecia Damy, através de Joaquim da Costa Ribeiro e Bernardo Gross, meus professores, J. Costa Ribeiro me disse naquela época: Damy é um dos únicos cientistas brasileiros em condições de implantar o Reator Nuclear em São Paulo. E assim foi. J. Costa Ribeiro,, Álvaro Alberto, Bernardo Gross foram dos primeiros a lutarem pela energia nuclear no Brasil e foram os primeiros a criarem a percussora da CNEN e a antiga Comissão de Energia Atômica, ainda no CNPq, mais tarde brilhantemente dirigida por Damy.
Quem convive com Damy conhece Lúcia, sua maravilhosa esposa, pintora e musicista e sente a força que emana dessa união, e compreende Damy na sua dimensão não apenas de cientista e intelectual mas de hem amoroso.
Quero agradecer ao Dr. Spero Penha Morato o honroso convite para escrever este prefácio ao livro que traça o perfil de Marcelo Damy, um dos cientistas mais criativos e relevantes que temos no Brasil, verdadeiro paradigma na História da Ciência e Tecnologia em nosso país e na América Latina.”
Prof. Dr. Sérgio Mascarenhas
Da Academia Brasileira de Ciências e da Academia de
Ciências do Estado de São Paulo
Publicado em: 11 Dez 2009
Atualizado em: 11 Dez 2009